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EDE UNICSUL |
A DESPATOLOGIZAÇÃO DA TRANSEXUALIDADE
Atualmente os transexuais vêm ganhando destaques nas mídias. Mas o que é ser um
sujeito transexual? Segundo afirma a psicanalista Márcia Arán trata-se de um fenômeno
complexo, descrito pelo sentimento intenso de não pertencimento ao sexo anatômico,
sem manifestação de distúrbios delirantes e sem bases orgânicas, compreendido por
dois dispositivos distintos: o biomédico e a identidade de gênero. O avanço biomédico
permitiu ao sujeito transexual, com o aprimoramento das técnicas cirúrgicas e com o
progresso da terapia hormonal a adequação sexual uma possibilidade concreta. A
identidade de gênero aponta para a influência da sexologia na construção da noção de
identidade de gênero como sendo uma construção sociocultural independente do sexo
natural ou biológico. Na psicanálise, o sujeito transexual é enquadrado como um
psicótico pelos autores lacanianos, sendo o desejo apresentado e concebido como um
delírio impossível de ser atingindo, comparado e fundamentado por meio do caso
Schreber de Freud. Todavia há autores que pensam a transexualidade como um
fenômeno contemporâneo de constituição social, o mecanismo de Verleugnung no
transexual, configura em uma divergência da configuração sexual binária social e de um
reconhecimento do outro. O objetivo desse trabalho é pensar a transexualidade para
além do diagnóstico de psicose empregando o mecanismo de verleugnung de Freud, por
meio de pesquisa bibliográfica visando refutar a patologização e o enquadramento
desses sujeitos na estrutura psicótica
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