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EDE UNICSUL |
Admirável mundo novo e a ecologia do desejo Waratiana: por uma emancipação jurídico-literária do saber.
O presente artigo busca refletir sobre os elementos que incutem ao Direito uma visão imobilizadora e totalitária do saber, tornando-o um ambiente infértil à promoção das subjetividades e à transformação dos saberes instituídos. Para o alcance de tal objetivo, por meio do uso da metodologia analítico-interpretativa e, concomitantemente, do estilo surrealista waratiano, recorreremos à obra Admirável Mundo Novo (1932), escrita por Aldous Huxley, para compreender os aspectos que sustentam uma sociedade cativada pela dominação. Assim, ao percorrermos as críticas traçadas por Luis Alberto Warat sobre a sociedade consumista pósmoderna, descortina-se o modo como aqueles aspectos são importados ao saber jurídico. Deste modo, constatou-se que a imaginação formal forjada por um saber tecnicista e dogmatizado, alimenta linguagem jurídica dominante, isto é, o senso comum teórico, e, alienando os indivíduos a ela sujeitos, condiciona o pensamento a uma mera expectação. Por conseguinte, apresentando a proposta ecológica dos desejos, mostra-se a possibilidade de desencantar-se das imagens e objetos mascarados pela ciência jurídica, a possibilidade do resgate do sonho e dos desejos, então castrados pelo imaginário instituído. Por fim, conclui-se que os estudos interseccionais de Direito e Literatura se manifestam como opositores à imobilização dos saberes jurídicos.
Palavras-Chave: Ecologia dos desejos, Admirável Mundo Novo, Direito e Literatura, Ciência jurídica.
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