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Criminalização da maconha: atuação do controle social do estado e a construção do inimigo maconheiro.
Milhares de jovens negros e periféricos morrem ou são presos todos os anos no Brasil por causa da guerra às drogas, política proibicionista que foi importada dos EUA sem a mínima atenção às minúcias que emergem de nossas relações sociais. O advento da lei 11.343/06 (Lei de Drogas), que em tese desencarcerou o usuário de drogas, fez disparar o número de presos por tráfico, pois não trouxe em seu texto uma distinção taxativa entre um e outro, deixando a cargo das autoridades policial e judiciária essa imputação. Paralelo a isso, os negros têm 2,5 vezes mais chances de morrer do que os não negros. Esse estado de coisas deságua no que parece ser o projeto de manutenção do status quo que privilegia a classe hegemônica. A construção social da figura do inimigo maconheiro – substância psicoativa mais usada no mundo – veio seguida da necessidade de combatê-lo. Surgia, então, a justificativa legal que o Estado precisava para continuar a fomentar o genocídio de jovens negros. Amparada em bases morais e religiosas e, sobretudo, na desinformação, essa justificativa serve como cortina de fumaça para a gestão da vida e, mais recentemente, da morte dessa classe mais desfavorecida no Brasil. A reflexões finais, resultado de ampla pesquisa e revisão bibliográfica, aduzem que aqueles cuja mente e corpo não são moldados de acordo com o que se pede no meio social acabam etiquetados. A partir de então, quando o Estado maneja a morte dessa população de acordo com o que lhe convém, deixa-se de lado a biopolítica e implanta-se o modelo da necropolítica.
Palavras-chave: Criminologia Crítica. Teoria do Etiquetamento Social. Racismo. Maconheiro Inimigo. Necropolítica.
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