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DESMEDICALIZAÇÃO DO PARTO E O USO DE TECNOLOGIAS NÃO
INVASIVAS DE CUIDADO DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA

Nas décadas de 30 a 70, as políticas nacionais de saúde preconizavam ações
voltadas para a saúde materno-infantil. A mulher era vista basicamente em sua
especificidade biológica, como mãe e dona de casa, todas as ações desses
programas eram voltadas para as questões reprodutivas, restringindo-se apenas aos
cuidados durante o período gravídico-puerperal (SANTOS et al, 2013).
Na década de 70, o governo permitiu a participação de entidades estrangeiras
e privadas no fornecimento de contraceptivos e na realização de laqueaduras,
objetivando o controle do crescimento populacional, o que acarretou a hospitalização
do parto e o aumento de cesáreas desnecessárias (NASCIMENTO et al, 2010).
Em busca dos direitos humanos e criticando o modelo de saúde presente, na
década de 80, os movimentos sanitários e feministas conquistaram vitórias políticas
importantes, tanto para a reforma sanitária quanto para a saúde da mulher. O
movimento feminista questionava as desigualdades nas relações sociais,
econômicas e culturais entre homens e mulheres que acarretavam problemas de
saúde e afetavam a população feminina em particular (BRASIL, 2011).
As mulheres começaram a ganhar voz, exigindo do governo uma atenção
integral a sua saúde incluindo ações educativas e preventivas. Desta forma, a
mulher passou a ser vista como possuidora de necessidades que vão além da
gestação e parto. Ocorre então à criação do Programa de Assistência Integral a
Saúde da Mulher (PAISM), em 1984, com princípios básicos de equidade,
integralidade e universalidade (NASCIMENTO, 2010; SANTOS et al, 2013).
O PAISM rompeu barreiras e conceitos políticos na saúde das mulheres, com
enfoque de gênero, integralidade e promoção da saúde, consolidou avanços nos
campos dos direitos reprodutivos e sexuais com ênfase na melhoria da atenção
obstétrica (BRASIL, 2011). Esse programa não aconteceu apenas para solucionar
as desigualdades de gênero na saúde da mulher, como também questionar o saber
médico no campo obstétrico que com práticas intervencionistas transformou o parto
em um ato médico (NASCIMENTO, 2010)

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ISSN: 2446-9467 QUALIS NÍVEL B5 (2015) em Educação Física -  Educação - Interdisciplinar

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ISSN: 2763-7603 - Publicação Online

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