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RACISMO COM GOLEIROS PRETOS NO FUTEBOL BRASILEIRO
A abolição dos escravos aconteceu em 1888 no Brasil, mas não podemos afirmar
que há igualdade racial. Barbosa, goleiro negro, foi culpado pela derrota do Brasil na
final da copa de 50. Daí criou-se um dos paradigmas mais preconceituosos de todos
os tempos: “preto não traz confiança”. A pouca frequência de goleiros negros na
história nacional reflete não apenas as condições traumáticas após a Copa do
Mundo de 1950, mas também o racismo estrutural camuflado na sociedade
brasileira. Logo, este trabalho tem como objetivo, verificar se o racismo está
presente na titularidade de goleiros pretos em clubes profissionais brasileiros e na
seleção nacional. Este estudo é uma pesquisa qualitativa exploratória com os
procedimentos de uma revisão de literatura. Utilizou-se os descritores futebol,
racismo e goleiro nas bases de dados: Google Acadêmico, SciELO e Pubmed.
Foram incluídos vinte e um artigos, quatorze foram descartados e sete
selecionados. O Futebol chega ao Brasil como uma modalidade elitizada, pois era
praticado quase que exclusivamente por engenheiros, técnicos ingleses e suas
famílias, sendo esses praticantes brancos em sua maioria. O acesso dos jogadores
negros aos clubes tradicionais se deu pela valorização do que podiam produzir,
público e boas arrecadações e o profissionalismo. O racismo estrutural proporciona
a ausência de negros em cargos de lideranças nas maiores empresas do país e
mostra que o racismo alcança diversas dimensões e camadas. Durante as 62
edições de campeonato brasileiro, apenas 13 goleiros negros foram titulares em
conquistas do campeonato até o ano de 2022. Ao longo das 22 participações da
seleção brasileira em Copas do Mundo, tivemos apenas 3 goleiros negros titulares:
Barbosa, Manga e Dida. São números desproporcionais se comparado a população
brasileira que conta com 57,3% de brasileiros declarados "não brancos".
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