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REFLEXÕES SOBRE A SOCIEDADE DE CONSUMO:
O neopentecostalismo enquanto aparelho ideológico a partir do
dispositivo do imperativo de gozo
Considera-se, a partir de uma visão marxista, que o capitalismo não se define como,
somente, um sistema econômico de trabalho, mas que seja, sobretudo, um sistema
social, dispondo de um ethos social próprio, determinante das relações e dos modos
de socialização. Entende-se que há em curso uma transição do modo de
socialização da sociedade de produção para a atual sociedade de consumo (ou
capitalismo de consumo). Este sistema se caracteriza por uma ética hedonista e
perspectiva mercantil da vida, onde a troca e consumo se mostram como, mais que
um incentivo, inseridos em um sistema de signos e uma ordem para a satisfação
narcísica. Para que a ideologia do consumo se mantenha, é necessário que haja
aparelhos ideológicos organizados a conservá-la, a exemplo da família e da mídia,
sendo a religião, também, um destes aparelhos. A partir de levantamento
bibliográfico, esta pesquisa, portanto, buscou investigar a possível relação entre a
conduta econômica e social da sociedade de consumo e a crença neopentecostal
enquanto seu aparelho ideológico, sob orientação da teoria crítica e da psicanálise.
Para isso, utiliza-se o conceito lacaniano de imperativo de gozo, observando que
este se comportaria como dispositivo para manutenção da ideologia que ordena ao
supereu a satisfação imediata a partir do consumo.
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